Blog

A Visão empreendedora do Advogado

Publicado em 12/08/2015 por Rodrigo M. de Carvalho

businessman writing rising graph ,blue background

A evolução dos meios de comunicação, em consonância com o advento da globalização, vem proporcionando uma celeridade nunca antes vista na capacidade de interação entre os indivíduos, influindo, por consequência, em diversos setores sociais, políticos e econômicos.

No que diz respeito, especificamente, às relações de consumo, o avanço da globalização e dos meios de interação trouxe consigo uma demanda cada vez maior de serviços ofertados, com o surgimento de novas empresas todos os dias, em todas as partes do globo. Assim, o mercado vem se tornando mais competitivo e, por óbvio, mais seletivo e implacável com aqueles que se mantêm obsoletos. Em sentido contrário, aqueles que progrediram, adaptando-se às mudanças, obtiveram êxito em suas atividades.

Nesse contexto, pode-se observar que um dos reflexos mais visíveis destas alterações ocorridas em nossos tempos se constata na área jurídica. Analisando a advocacia em um âmbito mundial, perfaz-se nítido que esta não mais se limita ao simples ato de “advogar”. Buscando adaptar-se à realidade de mercado, os escritórios de advocacia estão perseguindo o elemento diferencial que possa destacá-los no cenário, vindo a utilizarem técnicas intensamente aplicadas nas grandes sociedades empresárias, como é o caso do planejamento estratégico, dos recursos gerenciais, das formas de prospecção de clientes e das estratégias de marketing.

Em suma, os avanços ocorridos na advocacia, principalmente no que diz respeito ao período pós-globalização, têm propiciado a profissionalização da gestão jurídica, assemelhando os escritórios às empresas convencionais, tornando o advogado, na prática, um verdadeiro empresário. E, como em toda evolução, aqueles que não se adaptarem podem estar fadados ao fracasso.

Tratando-se do cenário brasileiro, a advocacia também se encontra em ascensão, interligando-se às práticas da Administração e adequando-se à concorrência, esta também em plena expansão, justificada pela crescente quantidade de advogados existentes no território nacional, número esse que tem se mostrado como o maior em proporção por habitante do mundo e que tende a aumentar, observando-se a grande quantidade de faculdades de Direito espalhadas pelo país.

Em contraponto, é sabido que muitos escritórios brasileiros, sobretudo em regiões menos desenvolvidas, são formados por profissionais que exercem quase que artesanalmente o ofício, ou seja, sem qualquer estrutura gerencial, tática e operacional.

Em regra, os advogados convencionais (pragmáticos) utilizam as quantias advindas de suas assessorias/consultorias e de seus honorários contratuais e sucumbenciais única e exclusivamente para sustento próprio e quitação das despesas básicas, tais como fornecimento de água e energia elétrica, eventual aluguel de salas, serviço de internet para o escritório e pagamento dos colaboradores (secretárias, possíveis advogados associados e estagiários).

Assim, investimentos em capacitação dos funcionários e estruturação de modelos empresariais, por exemplo, ficam em segundo plano quando se tem a possibilidade de embolso de todo o montante pelo(s) sócio(s), fato esse que acaba restringindo o crescimento e desenvolvimento da estrutura do escritório de advocacia.

Apenas para elucidar a situação, diante de pesquisa realizada em abril de 2014 pela Consultoria Legal Strategy, especializada em gestão legal, foi desenvolvido levantamento com 154 (cento e cinquenta e quatro) escritórios situados em São Paulo/SP e Rio de Janeiro/RJ, duas das cidades com maior desenvolvimento jurídico do Brasil, onde se constatou que apenas 18% (dezoito por cento) possuíam algum modelo de planejamento estratégico, enquanto que somente 5% (cinco por cento), ou seja, 8(oito) escritórios, adotavam um plano de negócios.

Contudo, apesar de gradual e lenta, a mudança que está ocorrendo no cenário pragmático da advocacia brasileira tem expandido os ideais dos profissionais jurídicos para uma noção menos limitada à capacidade técnica e política dos advogados, buscando que estes atentem para questões simples e básicas norteadoras do sucesso de qualquer empresa. Por isso muitos acabam “fechando as portas”. Não por falta de competência técnica, mas por deixarem de enxergar seus escritórios como empresas que necessitam de processos administrativos assim como qualquer outra organização.

Dessa forma, perfaz-se límpida a seguinte situação: o advogado que não tiver a visão do seu escritório como um verdadeiro empreendimento, em razão da tendência empresarial imposta pelo mercado, possivelmente não alcançará melhores resultados.

É importante que o gestor, qual seja, o advogado integrante da sociedade, busque ampliar e aprofundar suas perspectivas de empreendedorismo. O campo de atuação jurídico contemporâneo requer condutas interdisciplinares, reivindicando do profissional moderno um aperfeiçoamento constante em matérias diversas e especializadas.

Lucas Barreto Rosa

Advogado

Graduado em Direito pela Universidade Federal do Ceará

Pós-graduando em Direito Tributário e Direito Empresarial.

Compartilhe:
  • RSS
  • Twitthis
  • Facebook
  • Rec6
  • del.icio.us
  • Netvibes
  • Digg
  • LinkedIn
  • Technorati
  • MySpace

Deixe o seu comentário


Avisar sobre novos comentários por e-mail.